Agronegócio no Brasil – Um terreno fértil para tecnologia e crescimento de startups

Publicado em: 10 janeiro de 2022
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Nos últimos anos a produção mundial de alimentos e fibras foi suficiente para atender a demanda mundial de uma população crescente.

Em 1970 o Mundo tinha 3,693 bilhões de pessoas e produzia cerca de 1,225 bilhões de toneladas de grãos, em 695 milhões de hectares. Em 2005 a População Mundial já era de 6,453 bilhões, e a produção mundial de grãos alcançava 2.219,4 bilhões de toneladas em uma área colhida de 681,7 milhões de hectares.  Neste intervalo de tempo, podemos observar que exponencialmente, o Mundo conseguiu aumentar a oferta de grãos, frente ao aumento expressivo da população, sem grandes aumentos na área cultivada e colhida.

Neste contexto o Brasil desempenha um papel relevante, fazendo jus ao eterno slogan “o celeiro do mundo”. O País tem apresentado um grande desempenho nas exportações de produtos do agronegócio e conquistado novos mercados em diferentes partes do mundo, em uma história e trajetória que reúnem recursos naturais abundantes, ciência e empreendedorismo, em 40 anos o Brasil deixou de ser importador para se tornar um dos maiores produtores e exportadores globais de alimentos, atualmente possui liderança mundial consolidada e é o 2 exportador de alimentos, atrás apenas dos Estados Unidos, tendo como principais produtos exportados a soja, açúcar, carnes de frango, suína e bovina, café, suco de laranja e o fumo.

Nos últimos 15 anos, o crescimento das exportações agrícolas tem sido acima de 6% e existem reais possibilidades de continuar crescendo a taxas iguais ou até mesmo superiores a esta, vez que o Brasil ampliou sua produção de grãos, por exemplo, em 500% nas últimas quatro décadas com um aumento de apenas 70% na área plantada, de acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

Hoje, o País produz comida suficiente para estimados 1,6 bilhão de pessoas, ou seja, um excedente de 1,4 bilhão frente ao consumo interno, já que somos um pouco mais de 200 milhões de pessoas. Olhando para o futuro, é o Brasil a maior aposta global para que, em 2050, o país possa produzir alimentos para todos no planeta.

Essa estimativa se dá em razão de um melhor uso do solo pelos agricultores brasileiros, que aliados às tecnologias voltadas ao campo, conseguem extrair o máximo da área produzida. Com isso, surgiram várias oportunidades de novos negócios, vários empreendedores surgiram e novas soluções foram criadas. Neste ambiente dinâmico e de alta intensidade, foi o palco ideal para a criação de várias startups.

As startups com foco no agronegócio, também chamadas de Agtechs, estão se tornando cada vez mais numerosas. Pesquisas recentes mostram que em um universo de 12.000 startups no Brasil são quase 1100 focadas no agro, refletindo o grande peso do Agronegócio na economia brasileira. Nos últimos anos, melhorar a infraestrutura no Brasil, como conectividade, penetração móvel, imagens de satélite, alfabetização digital, tem sido fundamental para o desenvolvimento desse ecossistema Agtech.

Em um relatório lançado recentemente pela plataforma de inovação aberta Distrito, foi traçado um panorama das AGTECHS brasileiras. Segundo o Distrito Mining Report — Agtech 2021, os investimentos nessas companhias ultrapassaram a barreira de US$ 160 milhões desde 2009, e mais da metade desse valor foi aportada nos últimos três anos.

No levantamento foram mapeadas 298 startups voltadas para o agro, e a categoria agricultura de precisão (conjunto de tecnologias e ferramentas para ajudar o produtor rural no aumento de rendimento da lavoura) foi predominante, com 38%. Os resultados não poderiam ser mais high tech: foram calculados por meio de um algoritmo, que leva em consideração o número de funcionários, faturamento presumido, funding captado (captação de recursos financeiros para o investimento), além de métricas de redes sociais.

Entre as soluções mapeadas, destacam-se a oferta de software de gestão da produção agropecuária e uso de internet das coisas e big data analytics para o campo. Entre as demais soluções tecnológicas para a agropecuária, temos um cenário bastante equilibrado entre biotecnologias, automação e robotização e soluções de marketplace.

As startups vieram para ficar, e se tornaram tão relevantes na agricultura, que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) selecionou 43 startups para participarem da AgroBIT Brasil. Na ocasião, as startups, tiveram a oportunidade de apresentar seus projetos para uma banca de especialistas, potenciais investidores e para o público em geral do evento.

O AgroBIT, é um dos maiores eventos do país com foco em inovação para o agronegócio. O AgroBIT Brasil tem como objetivo principal discutir o potencial transformador das inovações e tecnologias em agricultura, reunindo em sua quarta edição especialistas nacionais e internacionais que irão apresentar os principais cases, soluções, tendências e oportunidades do setor.

Faz-se necessário ressaltar que o agronegócio já representa mais de 25% do PIB nacional e é um dos setores mais promissores do país, portanto o mercado tem grande relevância e potencial de crescimento imediato e futuro.

Portanto, verifica-se que nunca é tarde para investir no Agro, que sempre busca inovações nas mais diversas áreas de atuação, transformando-se em um ambiente fértil para novos negócios, conquistas e realizações.

Afinal, para aqueles que buscam novos investimentos, o Agronegócio pode sim ser tech, pop e tudo.

Afonso Felipe Amaral Herzer

Advogado da Área Cível da Tahech Advogados. Bacharel em Direito (Faculdades Guarapuava). Pós Graduando em Processo Civil (Centro Universitário Campo Real). Pós Graduando em Direito Imobiliário (Instituto Getúlio Vargas).