A obrigatoriedade do split payment nas operações entre empresas saiu de 2027 e passou para 2028.
O motivo desse atraso é estritamente técnico. Todo o sistema financeiro precisa estar apto a separar o tributo no instante do pagamento. Isso inclui todas as transações feitas via Pix.
Na prática, o setor produtivo ganhou um ano a mais de fôlego. No entanto, os gestores não podem relaxar.
Esse fôlego extra tem um nome claro: capital de giro. Muitas empresas recebem o dinheiro das vendas ao longo do mês. Elas recolhem os tributos apenas no dia 20 ou 25. Assim, o valor do imposto circula livremente como capital de giro por várias semanas.
O que muda com o split payment adiado?
O novo sistema encerra totalmente esse intervalo financeiro. A Receita Federal fará a arrecadação exatamente na hora da venda.
Para o setor de eletromóveis, o efeito será muito mais sensível. Afinal, os varejistas lidam com produtos de ticket alto e mantêm estoques financiados. Além disso, as margens de lucro dependem diretamente da previsibilidade de caixa diária. Com o split payment adiado, as lojas ganham tempo hábil para planejar essa transição estrutural.
Duas informações importantes complementam este quadro tributário.
A Receita Federal indicou uma flexibilidade interessante no processo. As empresas poderão escolher vender com ou sem essa divisão automática no início. O fisco também oferecerá um modelo alternativo chamado Recolhimento pelo Adquirente. Essa opção visa acelerar o aproveitamento de créditos tributários pelos empresários.
Prepare seu negócio financeiramente para 2027
Nada disso transforma 2027 em um ano parado para a sua empresa.
O governo federal inicia a cobrança da CBS no próximo ano. O IBS também entra em vigor com uma alíquota reduzida. Portanto, os sistemas de emissão, cobrança e conciliação precisam funcionar perfeitamente antes dessa data.
O ano extra vale pelo trabalho feito durante este período preparatório. Os gestores devem mapear onde o tributo hoje financia o giro da operação. Eles precisam simular o fluxo de caixa considerando o recolhimento imediato. Além disso, definir as regras tributárias em cada contrato de fornecedor já deve entrar na pauta deste semestre.
Revisar as margens de lucro e negociar prazos maiores com a indústria também são passos fundamentais. O varejo de móveis e eletrodomésticos precisa de liquidez constante para operar com eficiência. Portanto, aproveite o tempo adicional para investir em tecnologia e fortalecer as parcerias estratégicas. O planejamento antecipado garantirá que a sua loja mantenha a competitividade quando a nova regra tributária entrar em vigor definitivamente.