A recente imposição de tarifas pelos Estados Unidos afetou severamente o Brasil. Esse evento, conhecido como o tarifaço dos EUA, impactou profundamente a cadeia produtiva do papel. Afinal, o Brasil possui alta competitividade neste setor no mercado internacional. Consequentemente, a alta das taxas eleva os custos de produção e reduz as margens financeiras. Além disso, a medida ameaça a continuidade de contratos de exportação com clientes norte-americanos. Esses compradores representam uma parcela relevante da demanda brasileira. Por exemplo, o mercado já observou uma queda expressiva na venda de papel ondulado para os estadunidenses.
Para mitigar os efeitos negativos do tarifaço dos EUA, o governo federal publicou a Medida Provisória nº 1.309/2025. Dessa forma, a MP criou o Plano Brasil Soberano. O plano institui várias medidas emergenciais para proteger os exportadores nacionais. Portanto, a principal iniciativa busca preservar empregos e garantir a liquidez das empresas. Assim, o país tenta assegurar sua forte competitividade internacional.
Crédito emergencial contra o tarifaço dos EUA (Peac-FGI Solidário)
O governo criou uma modalidade especial de financiamento com garantias públicas. Esse crédito atende exclusivamente as empresas exportadoras que sofreram com o tarifaço dos EUA. Primeiramente, as empresas podem utilizar o dinheiro para capital de giro e modernização tecnológica. Ademais, o recurso serve para adaptar a linha de produção. Logo, a medida dá suporte aos fabricantes de papel que precisam se reestruturar rapidamente ou diversificar seus mercados.
Maior proteção para as exportações (SCE e FGE)
O setor do papel apresenta uma alta exposição a riscos comerciais externos. Contudo, agora as indústrias contarão com maior proteção. Novas linhas de financiamento e garantias estendidas oferecerão esse suporte estratégico. Isso significa muito mais segurança para as operações de venda internacional. Além disso, as empresas ganham a chance de compensar perdas em contratos que os parceiros cancelaram ou renegociaram recentemente.
Prorrogação de prazos no regime de drawback
A nova MP autoriza a extensão excepcional de até um ano para o cumprimento de compromissos de exportação. Esses compromissos possuem vínculo direto com o regime de drawback. O setor de papel depende muito de insumos importados. Por exemplo, as fábricas usam muitos produtos químicos no branqueamento e no tratamento da celulose. Consequentemente, essa prorrogação reduz a pressão fiscal imediata e preserva a competitividade do nosso produto.
Aquisição pública de excedentes
A União poderá adquirir os produtos que as empresas deixaram de exportar devido ao tarifaço dos EUA. Adicionalmente, o governo fará essa compra sem a necessidade de licitação prévia. Sem dúvida, essa atitude oferece uma excelente alternativa para as fábricas. Afinal, muitas empresas enfrentam estoques represados ou um enorme risco de perdas financeiras em virtude da queda nas vendas externas.
Flexibilização tributária para o setor de papel
A MP também permite ao Ministério da Fazenda estabelecer prioridade no ressarcimento de créditos tributários. O órgão ainda pode definir o diferimento de tributos federais para as empresas afetadas. Certamente, essa regra é essencial para as companhias do setor de papel. Geralmente, essas empresas acumulam créditos relevantes ao longo de toda a cadeia de produção e de exportação.
O real impacto do tarifaço dos EUA para o setor
Em resumo, o conjunto de medidas traz um alívio imediato para os exportadores de papel. Este setor responde por uma parte muito expressiva da pauta exportadora brasileira. Além disso, a indústria é fundamental para a economia de vários estados do país. Dessa maneira, as ações do governo garantem liquidez no curto prazo. Simultaneamente, elas possibilitam que as empresas busquem novos mercados, preservem contratos locais e mantenham os empregos neste momento de incerteza internacional.
Isenção na celulose ameniza o tarifaço dos EUA
Em agosto, durante o primeiro mês do tarifaço dos EUA, o volume de vendas de celulose brasileira para o país caiu. O valor atingiu a marca de US$94,6 milhões. Isso representa uma queda de 22,7% em relação aos US$122,4 milhões registrados em agosto de 2024. No entanto, a recente retirada da taxa de 10% inclui três descrições tarifárias específicas de celulose. Juntas, elas representam 90% de toda a celulose que o Brasil exporta para os Estados Unidos.
Donald Trump assinou uma ordem executiva que isentou a celulose importada dessa taxa prejudicial de 10%. Com toda a certeza, essa decisão beneficia as empresas brasileiras exportadoras do produto. O governo estadunidense publicou a decisão no dia 5 de setembro. Assim, a regra altera parte das sobretaxas que o republicano impôs em agosto, logo no início da crise diplomática.
De acordo com a Ibá (Indústria Brasileira de Árvores), a isenção abrange categorias tarifárias cruciais. Elas respondem pela quase totalidade dos embarques de celulose para o mercado norte-americano. Por outro lado, o governo manteve as tarifas adicionais sobre papéis em geral e painéis de madeira (MDF e MDP). Essas taxas, que afetam diretamente a indústria moveleira, continuam no patamar de 50% (40% da tarifa base mais 10% adicionais).
Queda e redirecionamento de mercado
Essa mudança ocorre durante um cenário de forte retração das exportações de celulose ao mercado norte-americano. Segundo dados consolidados pelo MDIC e pela Amcham, o valor exportado em agosto caiu consideravelmente. O total passou de US$122,4 milhões em 2024 para apenas US$94,6 milhões. No acumulado de janeiro a agosto, os especialistas registraram uma queda de 15,7%. Os valores despencaram de US$1,1 bilhão para US$ 933,4 milhões no período.
Apesar disso, os embarques globais de celulose brasileira cresceram de forma notável. A China liderou esse aumento com +17,5%, seguida pela Coreia do Sul (+18,1%) e pela Alemanha (+8,4%). Portanto, esse movimento confirma a reorientação da nossa pauta exportadora. O Brasil agora foca intensamente na Ásia e na Europa. Essa estratégia surge justamente como uma resposta inteligente à dificuldade de acesso causada pelo tarifaço dos EUA.
Papel segue pressionado pelo tarifaço dos EUA
A ordem executiva de Trump trouxe um alívio parcial para a celulose. Contudo, o setor do papel continua sofrendo intensamente com os efeitos do tarifaço dos EUA. Como as tarifas permaneceram muito altas, as empresas brasileiras enfrentam duras quedas nos contratos. Paralelamente, os fabricantes perdem muita competitividade diante de fornecedores de outros países.
Especialistas avaliam que a exclusão da celulose das sobretaxas ajudará bastante a economia. Essa atitude pode estabilizar as exportações brasileiras do produto para os EUA nos próximos meses. Embora a queda recente ainda aponte para grandes desafios na recomposição da demanda. Por outro lado, o setor de papel dependerá imensamente do pacote emergencial doméstico. Afinal, as empresas precisam desse apoio financeiro para preservar empregos, sustentar a liquidez e buscar novos mercados globais.
Consequentemente, o Brasil reforça sua posição como um exportador estratégico de celulose no mundo. Ao mesmo tempo, o país enfrenta a urgência de reestruturar toda a cadeia produtiva do papel. Essa adaptação rápida é vital para superar as duras barreiras comerciais que os norte-americanos impuseram.