O acordo de parceria e livre comércio entre o MERCOSUL e a União Europeia (UE), fruto de mais de duas décadas de negociações, foi assinado formalmente em 17 de janeiro de 2026, traz um cenário de oportunidades e desafios estruturais para o Brasil.
Tem como objetivos centrais a Redução e eliminação progressiva de tarifas alfandegárias sobre a maior parte dos bens e serviços entre os blocos ampliar o acesso de produtos e serviços do MERCOSUL ao mercado europeu e vice-versa, a atração de investimentos estrangeiros e fortalecimento da inserção internacional do MERCOSUL, bem como a Modernização industrial e maior integração às cadeias globais de valor.
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia afeta diretamente o setor madeireiro, especialmente nos segmentos de madeira processada, painéis, papel, celulose e móveis.
Impactos Positivos
1. Redução ou eliminação de tarifas na União Europeia
- Produtos brasileiros de madeira e derivados passam a enfrentar menor carga tarifária no mercado europeu.
- Aumenta a competitividade da madeira tropical e dos móveis brasileiros, hoje prejudicados por tarifas e barreiras comerciais.
2. Ampliação do acesso a um mercado de alto valor
- A UE é um dos maiores importadores globais de produtos florestais certificados e de alto valor agregado.
- Potencial crescimento das exportações de: o madeira beneficiada o painéis (MDF, MDP) o móveis de madeira o papel e celulose
3. Estímulo à industrialização da cadeia florestal
- O acordo favorece produtos processados, e não apenas matéria-prima.
Incentiva:
- o maior valor agregado
- modernização tecnológica
- integração às cadeias globais de valor
4. Atração de investimentos
- Tendência de aumento de investimentos europeus em manejo florestal sustentável, reflorestamento e indústria de transformação no Brasil.
- Fortalecimento do setor de florestas plantadas (eucalipto e pinus).
Impactos Negativos e Desafios
1. Exigências ambientais e de rastreabilidade
A UE impõe padrões rigorosos de:
- Combate ao desmatamento ilegal
- Origem legal da madeira
- Rastreabilidade completa da cadeia produtiva
- Pequenas e médias empresas podem ter custos elevados de adequação (certificações como FSC e PEFC).
2. Risco de exclusão de produtores informais
Empresas que não consigam comprovar:
- Manejo sustentável
- Regularidade ambiental e fundiária pode ficar fora do mercado europeu.
3. Concorrência com produtos europeus
Redução tarifária também permite maior entrada de:
- Móveis europeus
- Produtos de madeira com alto design e tecnologia
- Pode pressionar indústrias nacionais menos competitivas.
4. Uso ambiental como barreira indireta
- Críticas apontam que regras ambientais europeias podem funcionar como barreiras não tarifárias, dificultando exportações mesmo após o acordo.
- O setor madeireiro é especialmente sensível a esse tipo de restrição.
Avaliação Geral para o Setor da Madeira
O impacto tende a ser positivo no médio e longo prazo, especialmente para:
- Empresas formalizadas
- Cadeias certificadas
- Indústria de madeira processada e móveis
Por outro lado, o acordo:
- Aumenta a pressão por conformidade ambiental,
- Exige políticas públicas de apoio à regularização e certificação,
- Pode aprofundar desigualdades entre grandes e pequenos produtores