Primeiramente, a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, em fevereiro de 2026, de invalidar as tarifas de até 50% impostas à madeira brasileira representou um ponto de inflexão para o setor. Dessa forma, a medida reverteu um ciclo de forte retração na exportação de madeira, iniciado em julho de 2025. Naquela ocasião, o governo Trump implementou o chamado “tarifaço” sob a justificativa de proteção da indústria doméstica.
Como fica a exportação de madeira após a derrubada das tarifas
Retomada gradual da competitividade
Com efeito, graças à anulação das sobretaxas de 50%, os exportadores brasileiros voltam a competir em condições menos desvantajosas no principal mercado consumidor do segmento. Afinal, os Estados Unidos absorvem uma parcela significativa da produção brasileira de:
- Molduras de madeira
- Compensados
- Painéis e produtos semiacabados
Consequentemente, a expectativa inicial é de recomposição progressiva dos contratos suspensos e reativação de pedidos interrompidos durante o período crítico.
Alívio imediato nas regiões produtoras e redução da pressão sobre empregos
Além disso, estados do Sul — especialmente Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul —, que concentram grande parte da indústria de madeira processada, registraram um forte impacto econômico com a queda das vendas.
Por isso, a decisão da Suprema Corte foi recebida como essencial para evitar o fechamento definitivo de empresas que operavam com capacidade ociosa ou estavam em regime de layoff. Durante a vigência do “tarifaço”, o setor registrou aproximadamente 4 mil demissões diretas. Por outro lado, muitas empresas adotaram as férias coletivas ou a suspensão temporária de contratos de trabalho para qualificação profissional.
Vale lembrar que, tecnicamente no Brasil, o chamado “layoff” corresponde à hipótese prevista no art. 476-A da CLT. Portanto, não se trata de demissão, mas sim de uma medida excepcional e temporária para evitar desligamentos em momentos de crise econômica.
Novo patamar tarifário de 10% para a exportação de madeira
Apesar da revogação da tarifa de 50%, o governo norte-americano anunciou a aplicação de uma nova taxa geral de 10% sobre determinados produtos importados, incluindo itens do setor madeireiro.
Na prática, o cenário atual é o seguinte:
- A carga tarifária caiu substancialmente em relação ao período anterior.
- Ainda assim, o novo percentual mantém um custo adicional relevante.
- Mesmo assim, o Brasil permanece com tributação inferior à do período do “tarifaço”, com redução média estimada em 13% a 14% na carga total incidente.
Sendo assim, o panorama deixa de ser de colapso e passa a ser de ajuste competitivo para a exportação de madeira.
Relembre o cenário de crise (julho/2025 – fevereiro/2026)
Durante a vigência das tarifas de até 50%:
- As vendas externas caíram entre 35% e 55%, dependendo do produto.
- Cerca de 4 mil demissões diretas foram registradas.
- Diversas empresas adotaram férias coletivas e suspensão temporária de contratos.
- Houve paralisação parcial de linhas produtivas.
Sem dúvida, o impacto foi particularmente severo para empresas com alta dependência dos EUA, que tradicionalmente é o maior comprador do Brasil.
O que muda estruturalmente para o setor
Contudo, mesmo com o alívio, o episódio deixou três efeitos permanentes na exportação de madeira:
- Estratégias de diversificação de mercados: Em primeiro lugar, as empresas intensificaram negociações com a União Europeia, Ásia e Oriente Médio para reduzir a dependência dos EUA.
- Reorganização contratual e logística: Em segundo lugar, os contratos passaram a prever cláusulas de contingência tarifária, mitigando riscos futuros.
- Maior atenção a disputas comerciais: Por fim, o setor passa a monitorar com mais rigor medidas protecionistas e mecanismos de defesa comercial nos EUA.
Em resumo, a derrubada das tarifas de 50% afasta o risco imediato de colapso e reabre espaço para a recuperação da exportação de madeira brasileira. No entanto, o novo patamar tarifário de 10% e o histórico recente de instabilidade comercial mantêm o setor em estado de cautela estratégica. Em suma, o momento é de reconstrução — e não de euforia.