O Acordo de Parceria e Livre Comércio entre o MERCOSUL e a União Europeia (UE), assinado em janeiro de 2026 após mais de duas décadas de negociações, representa uma oportunidade estratégica para a indústria brasileira de papel, embalagens e celulose. Ao integrar dois dos maiores blocos econômicos do mundo, o acordo amplia o acesso a um mercado de alto poder aquisitivo e reforça a inserção internacional do setor.
A União Europeia se comprometeu a eliminar tarifas sobre cerca de 95% dos bens exportados pelo MERCOSUL em até 12 anos, o que tende a aumentar a competitividade de produtos brasileiros de base florestal, papéis técnicos e embalagens sustentáveis no mercado europeu. A redução tarifária contribui para a ampliação das exportações e para a melhoria das margens comerciais, especialmente em segmentos alinhados às demandas europeias por soluções sustentáveis.
No sentido inverso, o MERCOSUL eliminará tarifas sobre aproximadamente 91% dos bens importados da UE em até 15 anos, incluindo máquinas e equipamentos industriais. Para o setor, isso favorece a modernização do parque fabril, com acesso a tecnologias mais eficientes, automatizadas e ambientalmente avançadas, impulsionando ganhos de produtividade e competitividade.Embora o acordo imponha desafios regulatórios e maior exigência de conformidade a padrões técnicos e ambientais europeus, a indústria nacional de papel, embalagens e celulose — já fortemente orientada à exportação e à sustentabilidade — tende a se beneficiar de forma relevante do novo ambiente comercial. Ainda pendente de ratificação final, o acordo já sinaliza a necessidade de planejamento estratégico por parte das empresas para capturar oportunidades e mitigar riscos.