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IVA em 2026: o ‘ano de testes’ que pode virar passivo em 2027

  • Publicado em: 12/05/2026

O ano de 2026 marca o início da fase de testes da reforma tributária no Brasil, que traz como principal inovação a implementação do modelo de IVA-Dual (CBS e IBS). De fato, o IVA em 2026 funcionará, na prática, como um verdadeiro laboratório operacional do novo sistema.

Embora, em uma análise superficial, a transição não apresente um aumento imediato da carga tributária – ressalvados os pontos indicados adiante –, ocorrerá uma transformação profunda na operação fiscal das empresas. Consequentemente, é justamente nesse aspecto que residem os principais riscos e pontos de atenção.

Portanto, todos os times das organizações (jurídico, contábil, comercial, entre outros) precisam adaptar suas rotinas e participar ativamente dos testes.

O Início da Implementação do IVA em 2026

Desde 1º de janeiro de 2026, as empresas devem investir na adequação obrigatória aos novos requisitos. Neste momento inicial, o governo não busca prioritariamente a arrecadação, mas sim o ajuste estrutural: ele quer testar, corrigir e consolidar os sistemas operacionais.

Por essa razão, a Receita tornou obrigatório o destaque da CBS (federal) e do IBS (estadual/municipal) nos documentos fiscais eletrônicos, mesmo que o contribuinte recolha um valor igual a zero no fim do mês.

Em contrapartida, a legislação excluiu o Simples Nacional dessa obrigatoriedade neste primeiro cenário. Da mesma forma, o fisco dispensou temporariamente determinados setores (como instituições financeiras e planos de saúde), já que eles ainda não possuem modelos definitivos de documentos fiscais.

O Novo Monitoramento do Fisco no IVA em 2026

Há uma percepção equivocada de que o IVA em 2026 trará um ano de fiscalização leve. Contudo, a realidade é o oposto: os dados gerados já alimentam sistemas avançados de cruzamento de informações. Dessa forma, a Receita amplia significativamente sua capacidade de monitoramento, fazendo com que operações antes fora do radar passem a integrar as bases de dados governamentais ativamente.

Vale ressaltar que os legisladores estruturaram a reforma justamente para ampliar a base tributável, reduzir benefícios fiscais, aumentar a eficiência arrecadatória e simplificar a fiscalização.

Além disso, com a sanção da Lei Complementar n. 227/2026 (originada do PLP n. 108/2024), o governo criou o Comitê Gestor do IBS. Este órgão atuará como responsável por fiscalizar e julgar as questões relativas ao novo imposto.

Transição e Inovações do IVA em 2026

Felizmente, a lei prevê um período de transição com caráter orientativo, onde o fisco não penalizará falhas formais de imediato. Sendo assim, antes de aplicar multas, a Receita notificará o contribuinte, que terá um prazo de 60 dias para regularizar a sua situação.

Adicionalmente, destacamos outras inovações importantes:

  • Apuração assistida: A Receita conduz um projeto piloto junto às empresas para calcular tributos e créditos de forma automática.
  • CNPJ para Pessoas Físicas: A partir de julho de 2026, produtores rurais e profissionais liberais precisarão de um CNPJ específico para apurar seus impostos, sem que isso altere sua natureza jurídica originária.

Cronograma e Implementação do IVA em 2026

Para entender o real impacto do sistema, você precisa observar a linha do tempo estipulada pela reforma:

  • 2026: Fase de testes operacionais;
  • 2027: Início da cobrança efetiva da CBS (substituindo PIS/Cofins);
  • 2029 a 2033: Implementação gradual do IBS, com a extinção progressiva do ICMS e do ISS.

Atualmente, o Congresso ainda debate algumas definições relevantes, como as alíquotas finais e as regras definitivas do Imposto Seletivo.

Principais Pontos de Atenção para o IVA em 2026

Sobretudo, o setor corporativo precisa focar sua atenção nas novas exigências operacionais e tecnológicas:

  1. Fase de teste com efeitos reais: As empresas já precisam calcular e destacar a CBS (0,9%) e o IBS (0,1%). Apesar de o fisco permitir a compensação desses valores, existe um claro impacto financeiro e operacional, visto que o risco de glosas de crédito permanece muito concreto.
  2. Adequação de sistemas (ERP): Este representa, inquestionavelmente, o ponto mais crítico de toda a transição. Os documentos fiscais (NF-e, NFS-e, CT-e, etc.) exigem agora novos campos e complexas regras de cálculo. Logo, erros de parametrização podem gerar inconsistências em larga escala.
  3. Emissão correta de documentos: A lei exige o destaque individualizado da CBS e do IBS. Por consequência, inconsistências entre membros de uma mesma cadeia produtiva tendem a causar divergências e muito retrabalho para a contabilidade.
  4. Convivência de dois sistemas tributários: A operação simultânea entre o modelo atual e o novo eleva a complexidade do dia a dia. Isso aumenta o risco de erros e multiplica os custos de conformidade das organizações.

Impactos Operacionais do IVA em 2026 no Dia a Dia

  1. Revisão de processos internos: A empresa precisa modificar profundamente sua apuração fiscal, seu controle de créditos, suas conciliações contábeis e a gestão do fluxo de caixa. Afinal, a lógica do valor agregado exige que o gestor revise as margens e a precificação continuamente.
  2. Capacitação de equipes: Os gestores devem treinar rapidamente setores como o fiscal, contábil, jurídico, de TI, faturamento, compras e comercial a fim de evitar falhas sistêmicas humanas.
  3. Revisão contratual e gestão de fornecedores: O aproveitamento de créditos depende diretamente da regularidade de toda a cadeia. Portanto, recomendamos que as empresas revisem seus contratos de longo prazo, incluam cláusulas de reequilíbrio econômico-financeiro e de gross-up, bem como acompanhem a legislação diariamente.

Mesmo que estejamos vivendo a fase de testes, se a empresa descumprir obrigações formais agora, ela pode colher impactos pesados no futuro. Durante o ano de 2026, o foco não deve se restringir apenas ao valor da carga tributária. Os gestores precisam priorizar a adaptação sistêmica e tecnológica acima de tudo. Em resumo, este é um período crucial para ensaios e mitigação de riscos antes da entrada plena do novo modelo em 2027. Apesar de a legislação prever uma alíquota provisória reduzida (1%), a complexidade da operação aumenta consideravelmente em todos os setores.

Alerta: Impactos Tributários Adicionais no IVA em 2026

Embora a reforma vise a simplificação no longo prazo, o ano da adoção inicial já demonstra os obstáculos que os negócios enfrentarão na prática. Além disso, nós podemos notar um aumento real de carga tributária em diversos cenários imediatos.

Impostos Diretos e Indiretos no IVA em 2026

  1. IVA-Dual (CBS e IBS): O governo fixou a alíquota total em 1% (sendo 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS), e o contribuinte pode compensar esse valor com PIS/Cofins. Nesse sentido, as empresas nos regimes de Lucro Real e Presumido precisam obrigatoriamente realizar esse destaque.
  2. ITCMD: Os estados aplicarão alíquotas progressivas de até 8% para este imposto. Igualmente, o fisco passará a tributar bens no exterior e estipulará a base de cálculo diretamente pelo valor de mercado.
  3. IPVA e IPTU: As secretarias da fazenda passarão a incidir o IPVA sobre aeronaves e embarcações de uso puramente recreativo. Paralelamente, as prefeituras atualizarão a base de cálculo do IPTU de forma muito mais ágil.
  4. Imposto Seletivo: O governo iniciou a regulamentação para focar a taxação em produtos específicos, como cigarros, bebidas alcoólicas e itens de mineração.
  5. CSLL: O mercado observa o aumento da alíquota para 10% como regra geral, com ajustes adicionais que a lei já prevê para o setor financeiro especificamente.
  6. IRPJ no Lucro Presumido: A transição gera impactos indiretos expressivos, tais como a limitação ou até extinção do JCP (Juros sobre Capital Próprio). A Receita também estuda incluir o IVA em 2026 na base de cálculo deste imposto.
  7. Tributação de Dividendos: O projeto prevê que o fisco retenha na fonte (15%) os valores sobre os excedentes lucrados, o que fatalmente gerará um impacto relevante para o caixa das médias empresas.

Mudanças nos Incentivos Fiscais no IVA em 2026

Por outro lado, no que tange aos incentivos regionais e setoriais, as principais mudanças estruturais que o empresário verá são:

  1. Extinção gradual: Os estados e municípios reduzirão progressivamente os benefícios atrelados ao ICMS e ISS entre os anos de 2029 e 2033.
  2. Fundo de Compensação: O governo operará esta ferramenta a partir de 2026 para tentar mitigar as perdas de arrecadação regional.
  3. Zona Franca de Manaus: A legislação manteve os atrativos via IPI, garantindo que o sistema preserve o crédito presumido das empresas locais.
  4. Fundo de Desenvolvimento Regional: O governo substituirá os tradicionais incentivos fiscais por subsídios financeiros diretos aos projetos.
  5. Reduções setoriais específicas: A lei concede aos setores de saúde e educação uma redução de 60% na carga tributária. Entretanto, a cesta básica nacional e os dispositivos médicos recebem isenção total. Por fim, a produção rural também conta com uma redução de 60%.
  6. Novos mecanismos: A legislação cria ferramentas modernas de devolução como o Cashback social e adota novos estímulos para pautas ambientais.

Conclusão

Em suma, o principal desafio para empresas de médio e grande porte frente ao IVA em 2026 reside na gestão inteligente de contratos e na forte preparação técnica para a transição entre regimes. Visto que a redução progressiva dos benefícios fiscais começa a apertar a partir de 2029, a gestão atual exige um planejamento antecipado rigoroso. Acima de tudo, os gestores precisam realizar a imediata revisão das cláusulas contratuais de fornecimento, focando naquelas que abordam o reequilíbrio econômico-financeiro dos negócios.

Foto de Francisco Paludo

Francisco Paludo

Advogado da Área Tributária OAB/PR 49.880

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