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Empresas de Celulose, Papel e Embalagens, cuidado! Saiba os riscos da utilização de Créditos Tributários obtidos por meio de Ações Coletivas

  • Publicado em: 20/11/2025

No atual cenário brasileiro, empresas buscam a recuperação de créditos tributários para manter a saúde financeira. Geralmente, as companhias utilizam ações judiciais individuais como um caminho seguro e habitual. No entanto, o uso de créditos oriundos de ações coletivas cresceu recentemente, exigindo atenção redobrada dos gestores.

Este artigo analisa os riscos de utilizar ações coletivas para recuperar tributos. Destacamos, especialmente, os cuidados que empresas dos setores de Celulose, Papel e Embalagens devem ter ao encarar essas ações como uma suposta vantagem tributária.

O que é uma Associação Genérica?

A associação genérica é uma entidade que não prevê, em seu Estatuto Social, a representação de uma categoria econômica específica. Frequentemente, essas instituições possuem finalidades abertas e objetos sociais amplos. Na prática, elas aceitam qualquer pessoa física ou jurídica como associada, sem uma lógica singular de existência.

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) endureceu o posicionamento sobre o tema. Em decisões de julho e setembro de 2025, a Corte questionou a legitimidade dessas associações para ajuizar ações coletivas sem a autorização expressa dos filiados. Essa mudança aumenta consideravelmente o risco para empresas que realizam compensações tributárias baseadas nesses processos.

Lei e Jurisprudência sobre Representação Processual

A Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, inciso XXI, garante às associações a legitimidade para defender direitos coletivos. Contudo, a lei exige que a entidade esteja constituída e em funcionamento há, pelo menos, um ano.

Além do tempo de existência, a associação deve possuir um Estatuto Social claro. Esse documento precisa definir:

  • As pessoas que a entidade representa;
  • Os objetivos específicos da união de interesses;
  • Os motivos reais de sua existência jurídica.

Apesar dessas regras, associações genéricas surgem com frequência no âmbito tributário. Elas prometem defender contribuintes de forma generalizada e permitem filiações a qualquer tempo para o aproveitamento de créditos.

A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contesta essa prática judicialmente. Em 2025, o STF limitou a capacidade de atuação dessas entidades, invalidando decisões (como no ARE 1.556.474/SP) por falta de legitimidade específica e ausência de prova do direito individual.

Os Riscos para o Setor de Celulose, Papel e Embalagens

Empresas de Celulose e Papel que aderem a ações de associações genéricas podem enfrentar a glosa dos créditos. Se o fisco rejeitar a compensação, a empresa deve estornar os valores imediatamente.

A Fazenda Pública exige o pagamento do tributo acrescido de:

  1. Multas pesadas: os valores podem chegar a 150% sobre o montante principal;
  2. Juros Selic: correção acumulada sobre todo o período.

Essas sanções podem gerar dívidas maiores que o benefício original. Além disso, a empresa corre o risco de perder sua Certidão Negativa de Débitos (CND). Sem a CND, a companhia fica impedida de exportar, participar de licitações ou acessar financiamentos essenciais para a operação.

7 Medidas Preventivas para uma Recuperação Segura

Para evitar prejuízos financeiros e jurídicos na recuperação de créditos tributários, siga estas recomendações:

  1. Valide a legitimidade: Certifique-se de que a associação representa sua categoria econômica específica.
  2. Confira a territorialidade: Verifique se sua unidade está na área de atuação da entidade.
  3. Comprove a filiação: Garanta que a filiação ocorreu de forma prévia ao ajuizamento ou conforme as normas legais.
  4. Avalie o rito processual: Analise se a decisão vem de ação ordinária ou mandado de segurança.
  5. Estude o mérito: Verifique se o Poder Judiciário reconheceu de fato o direito discutido.
  6. Conte com apoio jurídico: Use consultorias de confiança para validar os temas tributários.
  7. Monitore os Tribunais: Acompanhe as mudanças de entendimento do STF sobre representatividade.

Foto de Gilson Bahls

Gilson Bahls

Advogado da Área Tributária da Tahech Advogados. Bacharel em Direito; Pós-graduando em Direito Previdenciário.

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