Sem dúvida, essa análise é indispensável no varejo. Afinal, as lojas precisam permanecer abertas justamente nos períodos de maior circulação de consumidores, como fins de semana, feriados e horários estendidos.
Além disso, no setor de eletromóveis, a operação envolve diversas etapas cruciais, como atendimento especializado, demonstração de produtos, estoque, entrega, montagem, assistência e pós-venda.
Consequentemente, a substituição imposta pelo fim da escala 6×1, sem uma discussão séria sobre produtividade, flexibilidade e organização das equipes, pode gerar uma conta muito difícil de absorver.
O impacto econômico nos shoppings e pequenos negócios
Para ilustrar, a Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) estima que o fim da escala 6×1 poderia provocar uma redução superior a 12% nas vendas e nos empregos do setor.
Dessa forma, a entidade calcula que a nova escala faria o faturamento dos shopping centers cair cerca de R$ 14 bilhões ao longo de 2025. Vale lembrar que o segmento movimentou R$ 200 bilhões naquele período.
Além do mais, o impacto tende a ser ainda mais sensível para os pequenos negócios, pois eles representam aproximadamente 60% dos 115 mil estabelecimentos instalados em shopping centers no país.
Portanto, uma loja com quatro ou cinco funcionários precisaria contratar pelo menos mais uma pessoa para manter seu horário de funcionamento. Segundo a associação, isso elevaria os custos trabalhistas em até 25%.
Custos, sustentabilidade e o futuro do emprego no varejo
Diante do fim da escala 6×1, as grandes redes já precisariam revisar turnos, redimensionar equipes, automatizar processos e reorganizar a logística. Em contrapartida, para os pequenos e médios varejistas, o risco se mostra muito mais imediato.
Isso ocorre porque margens estreitas não oferecem espaço para os lojistas absorverem um aumento expressivo da folha salarial sem reajustar preços, reduzir horários, suspender investimentos ou diminuir postos de trabalho.
Por isso, defender as empresas nesse debate não significa desconsiderar o bem-estar dos trabalhadores. Na verdade, significa reconhecer que qualquer política trabalhista precisa apresentar sustentabilidade econômica para preservar os próprios empregos que ela pretende proteger.
Em suma, não basta reduzir a jornada no texto da lei. O governo e a sociedade precisam explicar como as lojas manterão as portas abertas, como os empresários absorverão os custos e de que forma o mercado preservará os empregos após o fim da escala 6×1.